Pois bem, o fato é que a alegação de que jornalismo e liberdade de expressão andam juntos foi o principal alicerce para oito dos nove ministros votantes, serem da mesma opinião do Sr. Mendes. Há uma incitação de que qualquer pessoa deve ter liberdade para se expressar, através de palavras. E no quesito qualquer pessoa, se encaixam pessoas sem diploma. Porém, penso que o que eles não levaram em conta é a diferença entra se expressar e informar. Liberdade de expressão não vem grudada a informação. Quando se noticia algo, a verdade é tal como ela é, sem expressar maiores implicidades ou fatores surreais. A informação é necessária, e é paga e lida.
Mas, como se trata de Brasil, o nosso STF é campeão. Não há modalidade de inverdade que ele não vença. E nessa do jornalismo, o ministro Gilmar Mendes poderia ganhar o prêmio "comparação do ano" ao comparar para sustentar seus argumentos, a profissão de jornalismo à de chefe de cozinha.
Ou os oito ministros pingaram o colírio alucinógeno de José Simão (ele não é formado) ou estão mancomunados à extinguirem a profissão de jornalista. Explico.
1. Se não há mais a necessidade de ter curso superior que comprove a sua capacidade com as palavras, é questão de tempo para os 32 candidatos por vaga para o curso de jornalismo da USP no vestibular de 2009 despencarem consideravelmente. E isso vale para todas as faculdades.
2. Haverão, possivelmente pessoas que migrarão para outras áreas (dentro da comunicação, mesmo) para suprir o desejo de ter um diploma que seja válido e que seja reconhecido.
3. Menos jornalistas, menos críticas, mais improbidade e corrupção por debaixo dos panos.
4. Provavelmente cairá o nível teórico, porque jornalista que vier sem base técnica, terá que aprender que uma crítica de cinema é muito complexa; que a primeira TV, a Tupi, tinha como principal programa jornalístico o Repórter Esso; que as ideias revolucionárias de Marx e Engels influenciam no pensamento socialista atual; que em jornalismo de revista aceita-se e muito títulos nominais para a reportagem (sem verbo); que a função base para que eu escreva esse texto jornalístico sobre o jornalismo é a função metalinguística, dentre outros conceitos que dificilmente se aprende na redação do jornal ou num barzinho em reuniões de pauta.
Mas, eu mesmo me contradigo, porque não sou jornalista e estou a escrever. E É esse o ponto crucial: jornalismo alternativo, por hobbie, realmente nunca precisou de diploma. Agora se quero ler uma matéria sobre o fator socio-histórico que levou a eleição do Irã a ser questionada, anseio por um jornal sério e por um jornalista formado. Como disse o nosso professor de conceitos, o negócio agora é com o próprio meio de comunicação, ele quem terá que lidar com essa imposição do diploma.
E eu, como estudante de jornalismo, espero que o bom senso dos meios se valham da contratação de profissionais diplomados e bons. Não necessariamente nessa ordem.
O que há de melhor nisso tudo é que não são só os ministros que estão pouco se lixando para os jornalistas iniciantes.
Amiga do Gilmar Mendes.
Matérias de hoje sobre a decisão:
Terra
G1
Sindicato dos Jornalistas do Estado de S. Paulo
Folha Online
:S

4 comentários:
Viu.. eu li tudinho =D
Viva os posts grandes!
Assino em baixo de tudo o que você disse, mas espero que essa situaçao seja consertada... nao é certo! =/
que bad hein zé!
acho absurda a decisão.
vamos chamar os alunos de mackenzie e esamc p protestarem! ¬¬´
drugs! =/
Putz meu, que desrespeito!
Espero que eles revejam a decisão né Zée!
Mas o texto tá muito bom, Parabéns!
xD
Ah, e eu estou super pensativa Zée...
ia prestar Jornalismo né, mas to pensando agora! Mas o post me ajudou amigo, muito bom... bjus
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